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O que eu aprendi ao liderar jovens talentos da geração Z?

18 de maio de 2020

Por Stela Gazabine

Eu faço parte da Geração Z, jovens nascidos entre 1995 e 2009. Somos influencers, antes mesmo dessa definição existir – criamos tendências, somos nativos digitais e estamos impactando a forma de se entender consumo. Uma das características que está intrínseca a nossa geração é o consumo da verdade, que nada mais é do que a forma como nós escolhemos priorizar nossos princípios e valores na hora de nos relacionarmos com produtos, marcas, e, também, com a nossa própria carreira.

Há mais de um ano, acompanho 80 jovens talentos do Programa de Estágio do Grupo Boticário, que são da mesma faixa etária que eu. Através do meu Projeto de Estágio, a Jr.XP, busco entender a melhor forma de fazer a gestão de uma comunidade formada por pessoas da mesma geração que eu e aprendo diariamente com o desafio de liderar esse grupo na construção de novos produtos para o Programa de Estágio. Eis alguns dos aprendizados que tive nessa jornada e que acredito que valem a pena o compartilhamento, principalmente se, assim como eu, você está vivendo esse momento de transição da vida universitária para o mercado de trabalho:

as organizações esperam que sejamos aquilo que nascemos para ser

Uma das coisas mais impressionantes que observei nesse último ano, foi o esforço redobrado que nossa geração faz para se encaixar num formato de trabalho que já existe. Ao mesmo tempo que é um exercício extremamente desgastante, requer um sacrifício que nossa geração não está disposta a fazer: renunciar a quem nós somos, ao que realmente gostamos de fazer e à forma como nos relacionamos com os outros.

O que geralmente não se fala é que, na maioria das vezes, o que esperam de nós é justamente o contrário. É a capacidade de oxigenar ambientes através da nossa essência inovadora e criativa (essência criada a partir das referências e tendências que trazemos de outros projetos ou dos nossos interesses pessoais), que é valorizada pelos nossos líderes e pares. Se manter genuíno é o maior favor que você faz a você e ao mundo.

autonomia e protagonismo são pilares fundamentais na evolução de carreira

Meu desafio como estagiária da área de Talentos foi colocar em pé um Programa de Estágio único, que imprimisse a digital do jovem talento do Grupo Boticário. Se eu fosse traduzir em poucas palavras o que esse jovem talento tem de especial, diria que é a sua inquietude e a atitude empreendedora, a forma como se desafia indo sempre além do que é solicitado e que busca excelência em tudo o que faz, sempre se responsabilizando pelo seu desenvolvimento. E é claro, está sempre pensando em agregar valor para os nossos consumidores através das suas entregas.

No Grupo Boticário, ser talento significa ser agente de transformação, e para mim, autonomia e protagonismo são habilidades essenciais para mudar o jogo. Foi do desejo de estimular esses dois pilares na vivência do estágio, que surgiu a ideia de criar um Programa autogerido. Um modelo onde os estagiários determinam o que desejam desenvolver e são responsáveis por fazer seu desejo se transformar em realidade. Da prototipação à execução, os estagiários são 100% responsáveis pela sua jornada de aprendizado.

Não poderia ter dado mais certo. Depois de um ano e meio, temos uma cultura de responsabilização pelo autodesenvolvimento, onde os estagiários trazem inovações todo semestre, fazendo curadoria de conteúdos que o grupo gostaria de aprender, desenvolvendo trilhas de aprendizado diferenciadas para diferentes objetivos de carreira e participando ativamente na construção do Grupo Boticário como uma empresa desejo de se trabalhar. Afinal, em que outra empresa você tem esse tipo de desafio?

E eu, como mobilizadora de tudo isso, aprendi como essa capacidade de realização é alavancada por permitir que o estagiário explore oportunidades por si só e se relacione com as entregas através do senso de pertencimento.

é necessário ousadia

Nenhuma oportunidade maravilhosa cai do céu.

Eu sempre fui corajosa o suficiente para expor minha opinião e ir em busca do que acredito. Uma das coisas que sempre tento estimular nessa comunidade de estagiários é perder a vergonha e se aventurar por lugares desconhecidos.

No início da nossa carreira, é normal ter o sentimento que estamos atrapalhando ou nos metendo demais em assuntos que não dizem respeito a nós. Mas, a melhor maneira de aprender é eliminando essas barreiras, buscando mais e mais referências e criando oportunidades de aprendizagem.

Uma das coisas mais legais que aprendi com a minha liderança foi que se o estagiário está ‘incomodando’ demais e fazendo muito barulho na sua área ou organização, é porque ele está fazendo exatamente aquilo que ele foi contratado para fazer.

Pois bem, se fosse para resumir todas essas lições em uma única dica, acho que eu diria: se mantenha fiel a quem você é e tenha coragem de criar oportunidades e assumir desafios. A partir dessa experiência incrível que tenho vivido, cheguei à conclusão de que nossa geração vai conseguir ser mais feliz e realizada quando entender que é necessário ocupar espaços de forma genuína, respeitando nossa individualidade e o nosso compromisso com a inovação e com a diversidade, evitando se moldar em caixinhas que não nos pertencem e tomando para nós a responsabilidade sobre a mudança que queremos ver – no mundo e nas empresas – e principalmente, sobre o nosso desenvolvimento.

Para encerrar, se você leu até aqui e tem a oportunidade de ser líder de um jovem talento, é muito importante que você reconheça a responsabilidade que tem de potencializar essa faísca que a nossa geração tem. A minha dica é criar espaços para que essa faísca se transforme em potencial e que o potencial se torne um grande talento. Porque também é isso que nossa geração mais valoriza nesse início de carreira: poder se inspirar em líderes formadores, comprometidos com o nosso crescimento.

E quem sabe assim, vamos conseguir encontrar um equilíbrio entre o que as organizações oferecem e o que a essa geração busca – respeitando essa mudança que é natural quando novas gerações começam a ocupar espaços que antes não ocupavam – e tornar nossas marcas mais atrativas para os talentos que ainda estão por vir.