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Como o Grupo Boticário está reinventando o futuro da beleza

3 de setembro de 2020

Texto por Daniel Knopfholz, CIO do Grupo Boticário, em coautoria com Gabriel Kolbe e Paloma Capanema

Se você acha que eu vou me referir a mudanças nos padrões de estética ou características daquilo que é considerado belo, você se engana. Ou melhor, você ainda não conhece a beleza que me refiro aqui. Nós nascemos como uma farmácia de manipulação, na cidade de Curitiba, lá em 1977. Essa farmácia, já na época, driblava a concorrência entregando os produtos do receituário em poucos minutos e, algum tempo mais tarde, estaria lançando uma das fragrâncias mais vendidas do mundo, o Malbec. Quase 44 anos depois, o mesmo DNA de inovação que nos levou a ser uma das maiores empresas de beleza do planeta está nos levando a uma nova mudança. Uma reinvenção.

Agora você pode estar imaginando que vou falar sobre os efeitos do coronavírus, as mudanças nos elos e vínculos, a aceleração de processos e ressignificação de tantas coisas. De fato, não dá para negar as transformações que o mundo está passando nesse momento, principalmente o Brasil. Mas não é o meu foco hoje. Eu quero escrever sobre um fenômeno que nos conecta e que a cada dia ganha mais relevância. Sim… É a tal da transformação digital, um dos aspectos que impulsiona nossa reinvenção de futuro. Mas espere aí! Você acha mesmo que eu vou falar de transformação digital? Logo para você, que não para de escutar esse termo? E, logo eu, jornalista de formação, inconformado com o statusquo e que viu uma oportunidade de reinvenção como CIO de um dos maiores varejistas do Brasil?

Sim, vou falar sobre transformação digital. E prometo te surpreender, afinal, a nossa reinvenção passa por isso.

No entanto, antes de falar sobre o que é essa reinvenção, é preciso deixar claro o que ela não é. Primeiro, não é uma inovação pela inovação. Ou seja, não estamos reinventando nada simplesmente pelo fato de criar algo, mas sim porque existe um problema real por trás. Segundo, não é uma super ideia ou um super acontecimento. Estamos nos reinventando aos poucos, de forma gradual. Por fim, não é a tecnologia pela tecnologia. Não estamos aqui para simplesmente desenvolver um novo gadget que não torne a vida de alguém mais fácil ou melhor.

Mas então o que é essa reinvenção?

O que chamamos de reinvenção é, na verdade, simplesmente uma nova maneira de enxergar as relações, sejam elas de trabalho, consumo ou até mesmo pessoais. A transformação digital, que falamos ali, só pode existir se levarmos em consideração a transformação não-digital. E é dessa mudança que eu gostaria de te contar.

“Nossa análise é clara: nesses dias de mudanças rápidas e mundo competitivo, a melhor alternativa para seus produtos, organizações e pessoas é instituir uma cultura de experimentação e aprendizado, com investimentos em tecnologia e gestão capazes de permitir isso.”

Nicole Forsgren, Accelerate: The Science of Lean Software and DevOps: Building and Scaling High Performing Technology Organizations.

Nossa reinvenção é isso. Garantir e potencializar a cultura de aprendizado contínuo, via ciclos curtos de entregas com experimentação, prototipação e validação. Mais do que criar produtos digitais incríveis, a reinvenção é entender se essa é realmente a melhor solução pra uma dor do cliente, seja esse cliente a pessoa que irá consumir nossos produtos na ponta ou nossos próprios colaboradores e colaboradoras, bem como todas as ligações que temos entre um e outro.

Hoje, nossos produtos digitais que estão em produção resolvem, claramente, uma dor. Os aplicativos de revenda de Eudora e O Boticário facilitam o acesso à informação, acompanhamento e realização de pedidos, com catálogos interativos que favorecem a venda dos produtos pelas revendedoras. Há ainda a criação de produtos financeiros, como a Minha Revenda Digital, uma solução completa de controle e organização para quem utiliza a venda direta como fonte de renda, onde é possível, até mesmo, colocar crédito no celular. Tudo isso criado dentro de casa, pelos times de tecnologia do Grupo Boticário, através da nossa cultura de reinvenção.

Em ordem, da esquerda para a direita: app Representante Eudora, app Revendedor O Boticário e app Minha Revenda Digital.

Porém, é preciso ter cautela. Nesse momento de aceleração e mudança cultural, é fácil acabar perdendo o ritmo e, principalmente, o foco. Não é possível inovar e criar soluções para problemas reais quando existe um “nevoeiro” de possibilidades, onde todos querem e procuram resolver tudo. É preciso definir poucos, preferencialmente um, problemas para serem resolvidos por vez. Aqui, a partir de 2019, começamos pela internalização dos times dos produtos, processos e soluções de tecnologia. Times que não param de crescer, e com a chegada de Beleza na Web, o ritmo só aumentou. Hoje, as áreas de tecnologia do Grupo Boticário possuem a maior abertura de vagas dentro da organização, e o cenário não parece mudar dentro dos próximos anos.

Tecnicamente, outras mudanças vêm acontecendo e permitindo a reinvenção. É o caso da adoção, por exemplo, de um modelo Infrastructure as Code (IaC), permitindo a padronização das entregas de código através de pipelines com Azure DevOps, bem como a utilização de tecnologias de ponta como EKS (Kubernetes as a Service da AWS) e Serveless. Outro caso é a estratégia em Data Lakehouse, compreendendo as funções de datalake aliada às qualidades de um warehouse, em um modelo que traz um novo paradigma para arquitetura de dados e possibilita a flexibilidade necessária e alto desempenho para business analyticsmachine learning e as demais necessidades de dados.

E no meio desse processo todo, com muita gente boa chegando, reestruturação dos times e o foco na experimentação com o cliente, os aprendizados precisam ser compartilhados e entendidos pelas pessoas da organização, e este talvez seja um dos maiores desafios: garantir que nossos conhecimentos estão sendo registrados e que as pessoas estão ganhando consciência sobre eles. Desta maneira, incrivelmente, ainda estamos aprendendo a aprender.

Por fim, toda essa reinvenção pode ser resumida numa simples frase: realizar a troca dos pneus com o carro em movimento. Nesse caso, o “carro em movimento” é o que aquela farmácia de manipulação do centro de Curitiba de 1977 se tornou: um grupo que está presente em 15 países, possui mais de 4 mil lojas próprias, que acessa cerca de 35 mil pontos de venda multimarcas e com mais de 40 mil colaboradores diretos e indiretos. Um impacto imensurável, com orgulho de ser brasileiro e que tem fome de continuar crescendo.

E bom, do futuro da beleza, por si só, eu não sei. Mas de uma coisa eu tenho certeza: nós o estamos construindo, agora, e você pode acompanhar essa construção aqui no Medium gb.tech. Todo mês nosso time de tecnologia contará o que estamos desenvolvendo e qual impacto nossa reinvenção gera em cada ponta do GB, e como, tecnicamente, estamos construindo isso.